Desde que comecei a trabalhar com mobilidade, recebo contato de amigos e conhecidos que me abordam e dizem: “Tenho uma ideia muito boa para um aplicativo mobile!”. Eu sempre costumo escutar todos com atenção. Via de regra, as ideias são ótimas, mas ao final eu faço a pergunta: “Você já pensou no modelo de negócios para gerar receita com este aplicativo?”. Geralmente aqui a conversa esfria e o interlocutor fica pensativo. Em geral, os dois principais desafios ao criar aplicativos são: como ganhar dinheiro com meu aplicativo? Como fazer com que os meus consumidores ou clientes saibam que o meu aplicativo existe? Neste post vou abordar algumas respostas para a primeira pergunta.

Modelos de Monetização

A maneira mais simples de monetizar seu app é vendê-lo nas App Stores (Apple Store, Google Play, etc). Neste modelo, cria-se o aplicativo e define-se seu valor de venda. O usuário então pode optar por compra-lo, usando seu ID da App Store e dados de seu cartão de crédito. Em geral os preços variam de US$ 0,99 podendo chegar até US$ 15,00, ou mais. O desafio é convencer o usuário a pagar mais que este valor para um aplicativo que ele não conhece. Boas avaliações de seu app na loja podem ajudar na decisão de compra, e iniciar a distribuição do app gratuitamente, para depois iniciar a cobrança, ajuda a formar uma base de clientes e potenciais “promotores” de sua solução.

Outro modelo possível é distribuir o aplicativo gratuitamente, em troca de mostrar publicidade. Neste modelo, o usuário baixa o app sem custos, e enquanto opera o aplicativo, fica rodando no cabeçalho ou rodapé da tela um banner com publicidade. O anunciante do banner paga um valor por cada impressão (eCPM) e a receita é revertida para o dono da “vitrine” onde o anúncio foi mostrado (no caso, o desenvolvedor do app). O desafio neste modelo é criar um aplicativo que prenda a atenção do usuário por tempo suficiente para gerar bastante receita com publicidade.

Existe ainda um outro modelo chamado In-App Purchase (venda de dentro do aplicativo). Um exemplo comum é de jogos distribuídos gratuitamente, que possuem apenas os 2 ou 3 primeiros níveis. Caso o usuário goste e queira jogar os níveis seguintes, ele paga para liberar o uso. Esta regra vale para comprar níveis de jogos, mas também qualquer funcionalidade dentro de um aplicativo (liberar um conteúdo, ou uma funcionalidade específica que somente quem paga tem acesso, por exemplo).

Por fim, também tem outra forma de monetizar seu aplicativo que é vende-lo como um serviço. Neste caso, cria-se um aplicativo que resolve um problema de um usuário ou um processo de negócio para uma empresa. Ninguém tem acesso ao app até que se pague pela inscrição (mensalidade). O objetivo é criar um app que seja útil o suficiente para que seja usado com frequência e justifique pagá-lo como um serviço. O aplicativo pode ser direcionado tanto para consumidores finais (B2C), quanto para uma organização ou empresa (B2B).

Inicie pelo Modelo de Negócio

Estes são apenas alguns modelos de negócios possíveis, mas existem outros que podem ser criados em torno de uma solução mobile. Desenvolver aplicativos requer um conhecimento e expertises bem específicos, mas depois que se cria o primeiro, desenvolver os seguintes parece até simples. Difícil mesmo é criar bons modelos de negócio em torno da comercialização de apps. Por isto, minha sugestão para quem desenvolve é: antes de criar um app, defina o modelo de negócios em torno dele (fontes de receita, estrutura de custos, proposta de valor, público-alvo, parceiros, divulgação, etc). As chances de sucesso serão maiores usando esta abordagem.